2010-07-28 12:46:40 - Atualizado em 2010-07-28 12:46:40

Empresa deve pagar mais de 650 mil por multa a trabalho escravo no interior de Palmas/PR


Alam Arezi

A fiscalização foi encerrada na última sexta-feira em uma fazenda pertecente a empresa Madepar, no interior do município de Palmas/PR





O Ministério Publico e Procuradoria Geral do Trabalho do estado, encontraram no interior do município de Palmas,Paraná, em uma fazenda um alojamento de trabalhadores rurais contratados para podar uma plantação de pinheiros pinus e classificaram a situação em que se encontravam à uma condição análoga a escravidão. Uma equipe formada por auditores do trabalho, um procurador e policiais federais entraram nas fazendas da Madepar Agroflorestal em Palmas e autuaram a empresa por exploração de trabalho em condições análogas à escravidão. A operação se estendeu até a última sexta-feira.

Conforme descrição dos auditores, os trabalhadores se alojavam em um barracão de 11 metros por 3 metros, sujo e improvisado, 19 beliches estão amontoados da entrada até os fundos. Há apenas duas janelas e uma porta de compensado de madeira numa das extremidades. Mesmo durante o dia, o ambiente fica na penumbra. O telhado é de zinco. Não há luz elétrica, banheiro ou qualquer tipo de aquecimento. No inverno, as temperaturas chegam quase a zero grau. Banhos são num vão de terra a céu aberto onde escorre um fio dágua gelada ou num quadrado improvisado com lona e sem porta. À noite, como não há colchões para todos, alguns dividem a mesma cama. Pelo menos dois adolescentes dormem com adultos.

A área pertence à Madepar S.A. Indústria e Comércio (cujo nome fantasia é Madepar Agroflorestal). Ela integra um grupo ao qual pertencem a Madepar Papéis para Embalagem e a Madepar Laminados, todas sediadas no mesmo endereço na cidade de São Paulo.

O trabalho foi acompanhado por uma equipe do jornal Valor Econômico, a convite do Ministério do Trabalho e Emprego e da Procuradoria Regional do Trabalho do Paraná, que foi autorizado a divulgar as informações somente nesta semana.

Ao todo, as blitze na Madepar resgataram 67 trabalhadores, entre eles cinco adolescentes. Parte deles trabalhava na manutenção dos plantios de pinus e parte na colheita de erva-mate. A empresa teve de pagar R$ 108.609,99 em verbas rescisórias; R$ 169.000,00 em indenizações por danos morais (de R$ 1.000 a R$ 5.000 para cada um) e R$ 240.000,00 por dano moral coletivo.

Com o pagamento do FGTS, dos valores devidos à Previdência e multas pelos 55 autos de infração lavrados, os valores poderão passar de R$ 650 mil, disse Lino Lopes. Parte disso foi pago em dinheiro na dia 23 aos resgatados no escritório da empresa na cidade de General Carneiro, Paraná.



FONTE: PORTALRBJ.COM




 


 

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